O Zen

Agarrar a oportunidade

Esta é a história da briga do operário com o judoca.

O judoca aplicou-lhe uma gravata. Por esse waza, num combate oficial, o operário teria sido vencido. Na realidade da vida, porém, o operário agarrou e torceu os testículos do judoca, que urrou de dor. E, no mesmo instante, conquistou a supremacia do combate.

Em conclusão, podemos dizer que, no terreno esportivo, a técnica, (waza) e a atividade (ki) são muito importantes, ao passo que, no verdadeiro budo, a arte da defesa pessoal e a ação passiva do "agarrar" (agarrar o momento) são os elementos mais importantes.

Taisen Deshimaru - A Tigela e o Bastão.

Santo Buddha?

Certo dia, logo depois da iluminação do Buda, um homem o viu caminhando na sua direção. O homem não ouvira falar do Buda, mas pôde ver que havia algo diferente na pessoa que estava se aproximando, de modo que ele se viu tentado a perguntar: "O senhor é um deus?"

O Buda respondeu: "Não."
"Um mágico, então? Um feiticeiro? Um bruxo?"
"Não."
"Algum tipo de ser celestial? Um anjo, talvez?"
Novamente o Buda disse: "Não."
"Bem, o que o senhor é então?"
O Buda respondeu: "Estou desperto."


Cit.: Hagen, Steve. Budismo Claro e Simples. Ed. Pensamento.

A Transmissão de Prajnatara para Bodhidharma

 
O ex-príncipe Bodhidharma conheceu Prajnatara como um mestre de Vajramushti, a arte marcial da antiga Índia. Depois, ele descobriu que Prajnatara também era um mestre do Dharma de Buddha, pelo qual se interessou ainda mais.
Prajnatara: O que é completamente sem características e, portanto, completamente incaracterizável?

Bodhidharma: É aquilo que nunca, quando se manifesta livremente, nunca surge no lugar original.

Prajnatara: O que é o mais excelente, exaltável e sublime?

Bodhidharma: É a clareza e brilho inatos da própria consciência.

Prajnatara: O que é realmente ilimitado e, portanto, sem nenhuma divisão ou ligação?

Bodhidharma: É a própria natureza da realidade, da maneira que ela é, momento a momento.
Depois dessa transmissão, Prajnatara pediu a Bodhidharma para que levasse a luz do Dharma até a China. Depois de uma longa viagem de barco, ele chegou lá e se encontrou com o imperador Wu, do reino de Liao.
Wu: Eu construí templos e monastérios para os monges, dei dinheiro para os pobres. Quantos méritos eu consegui?

Bodhidharma: Mérito nenhum.

Wu: Então, o que é o ensinamento sagrado do Buddha?

Bodhidharma: É vazio e nada tem de sagrado.

Wu: Mas afinal, quem é você?

Bodhidharma: Não sei.
Depois disso, Bodhidharma se retirou para o norte e se instalou no monastério Shaolin, onde se iniciaria a luminosa linhagem chinesa do Zen.


A moral do Tao


Um famigerado ladrão chamado Koshi, interessava ao sábio Confúcio; este, com efeito, supunha poder convertê-lo à sua moral.

Dirigiu-se, portanto, à montanha em que o ladrão vivia retirado, e propôs-se educá-lo.

Koshi, o ladrão, logo se cansou das palavras do importuno:

- És mais pueril que uma criança - exclamou às súbitas. - Tua moral é boa para ti, mas não é boa para mim! Ensina-me, portanto, outro aspecto da moral se tu quiseres que eu te compreenda! Para falar com franqueza, eu não acreditava que os grandes sábios fossem tão tolamente ingênuos!

Confúcio viu-se obrigado a recuar. Recebera, em matéria de moral, uma grande lição.